Educador ambiental busca, na Oficina de Comunicação, aprimoramento pessoal e profissional

Morador de Brumadinho, Lenon Martins, que entrevistou o artista Saype, se diz mais preparado e sente, diariamente, um “despertar” que o motiva a fazer mais para a sociedade

Lenon Martins é morador de Brumadinho e sempre foi muito ativo nas questões comunitárias. Foi líder de uma Associação de Moradores e hoje participa da Oficina de Comunicação Comunitária do Projeto Legado de Brumadinho, onde tem se desenvolvido e aprimorado suas habilidades. O jovem de 25 anos mora de aluguel e já viveu em vários bairros da cidade, conhecendo bem as raízes, cultura e problemas enfrentados diariamente pelos moradores. Educador ambiental, diz que o curso o ajuda todos os dias a desempenhar suas atividades: “Um dos pontos facilitadores é a comunicação, que me ajuda muito, pois tenho aprendido bastante coisa aqui na oficina e isso tem feito a diferença.” 

O jovem perdeu o padrinho na tragédia-crime, funcionário da Vale há mais de 16 anos, e costuma evitar momentos nos quais se discute o luto, sobretudo por não saber lidar com o assunto. Na oficina, ele tem pautado assuntos de relevância e isso o tem ajudado em diversos campos da vida, sejam eles de natureza pessoal ou profissional. “Sou muito amigo do filho do meu padrinho e hoje consigo partilhar e dar um apoio emocional a ele e aos familiares”, complementa. 

Tendo dado passos que em outro tempo acharia impossível, segundo o próprio estudante, sua desenvoltura o levou a entrevistar o artista Saype (foto em destaque) em um evento do projeto, em Brumadinho, no qual também pôde acompanhar, minutos depois, a entrevista do francês ao vivo para a Rede Globo: “Foi uma emoção bastante grande. Saype é muito aclamado, muito bom no que faz, e eu fiquei bem emocionado. Entrevistar ele foi muito legal. Consegui observar sua leveza ao expor o que sente. A arte é também um tipo de comunicação.”

Lenon ama estar próximo à natureza e ir às cachoeiras de Brumadinho é seu hobby favorito. Hoje, se vê triste em não poder reunir mais os amigos e familiares e andar pela região em busca dessa diversão. “Desde pequeno, eu frequento cachoeiras e lagoas. Porém, hoje muita coisa mudou. A nova geração não tem interesse. As pessoas não têm esse foco mais, de ter um contato com a natureza. Brumadinho hoje passa por problemas e as pessoas têm desconfiança e insegurança quanto à água, às pessoas, e por aí vai. Temos uma luta muito grande para reconstruir o nome de Brumadinho. Vemos muita ênfase em coisas ruins, mas eu, como morador de Brumadinho e participante da Oficina, me sinto na obrigação de mudar essa realidade. Isso passa a ser nossa função. Talvez seja por isso que tenha escolhido trabalhar com educação ambiental,” comenta.

Hoje, fazendo parte da CEJA – Comunicação Expressiva Pelas Joias – nome dado pelos alunos à rede de comunicadores da Oficina de Comunicação Comunitária – Lenon utiliza ferramentas de ponta e consegue desenvolver suas técnicas, pretendendo seguir no ramo educacional e comunicacional: “Eu me identifico muito com a comunicação. Juntar o lado ambiental e a comunicação me fará bem feliz. Me sinto leve em falar. Surgem novos olhares e oportunidades”. 

Ele, que outrora foi presidente de uma associação de bairros e pautava melhorias em diferentes áreas, precisou se ausentar por ter que mudar de bairro, mas sua visão coletiva sempre permaneceu. Nessa perspectiva, pretende seguir se capacitando ainda mais na gestão de redes sociais e utilizar os ensinamentos da Oficina como um legado. Lenon ainda almeja criar um projeto no intuito de informar a população do município, com entrevistas e conteúdos com potencial para melhorar a vida de quem vive e respira Brumadinho. “Cabe aos brumadinhenses disseminar informações sobre Brumadinho. É um sentimento de pertencimento enorme, o que ajuda muito nosso município. Pretendo ter isso como legado e mostrar a realidade dos fatos”, finaliza. 

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